Camila Hessel, repórter especial de Época NEGÓCIOS, acompanha neste blog o que fazem e dizem as companhias abertas no mercado de capitais brasileiro e internacional.

 
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Balanços irregulares
Uma em cada três empresas listadas em bolsa deixa de publicar informações obrigatórias em suas demonstrações financeiras, diz estudo da USP


Na semana em que a
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) colocou três novas normas contábeis em consulta pública, uma pesquisa divulgada pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis (Fipecafi – ligada ao departamento de contabilidade da Faculdade de Economia e Administração da USP) mostra que as companhias abertas brasileiras ainda patinam na hora de publicar os seus balanços.

De acordo com reportagem publicada nesta segunda-feira (18/08) pelo jornal Folha de SP, das 220 companhias abertas analisadas no levantamento, 86 (o equivalente a 39%) divulgaram balanços com irregularidades. Elas deixaram de publicar detalhes sobre custos e políticas de negociação entre empresas do mesmo grupo (transações entre coligadas), política de compra e venda de ações de emissão da própria empresa mantidas em tesouraria, valor da soma dos salários dos principais executivos e conselheiros e, em alguns casos, até mesmo o relatório da administração, em que os gestores detalham o contexto operacional da companhia. No ano passado, esse número foi significativamente menor: apenas 24% das empresas analisadas publicaram balanços em que faltavam informações obrigatórias.

Nesses casos, a CVM só abre processo administrativo contra a empresa quando a falha provoca algum tipo de prejuízo para os acionistas. Os professores da USP não revelam os nomes das empresas. Por esse motivo, não é possível identificar que parte desse universo pertence ao grupo de companhias que, apesar de listada em bolsa, tem ações pouco negociadas. Até o fim do ano, temas relacionados ao conteúdo obrigatório dos balanços de companhias abertas devem permanecer em evidência. Com a adoção da nova lei contábil prevista para a partir do próximo ano, seis novas consultas públicas devem ocorrer até dezembro. Acompanhá-las é uma boa forma de se familiarizar com as mudanças – e de tornar o entendimento das demonstrações um pouco menos árido no ano que vem.

Confira as normas em consulta na CVM:
- Ativos intangíveis
- Incentivos fiscais
- Operações de arrendamento mercantil

18/08/2008

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Forbes recomenda ADRs de cias brasileiras
Guia de investimentos da revista norte-americana destaca papéis considerados sub-avaliados por analistas

Com as bolsas norte-americanas em queda e as incertezas do cenário econômico global, cresce a necessidade de diversificação internacional das carteiras. A
revista Forbes publicou uma edição especial sobre o tema, em que o Brasil aparece como um destino importante para o investidor em busca de fôlego adicional para suas carteiras.

Em reportagem sobre companhias com perspectiva de crescimento nas receitas – raras em tempos de desaquecimento da economia mundial -, Ambev e Telemar são apontadas pelos analistas consultados como boas opções de investimento.

Quando o tema são os certificados de depósito de ação (ADRs, na sigla em inglês), Vale e Embraer são recomendadas pela revista – que selecionou, dentre os papéis de companhias estrangeiras negociados nas bolsas norte-americanas, aqueles com preço abaixo da expectativa de crescimento da receita no longo prazo (um índice conhecido como price-to earnings growth ratio).

Outra estratégia apresentada pela Forbes para encontrar boas opções de investimento é buscar as companhias que se beneficiam do crescimento no consumo em mercados emergentes como Brasil e México. Geoffrey Dennis, estrategista de investimentos do Citigroup especializado em América Latina disse que, para identificar os melhores papéis é preciso se concentrar nos beneficiários de longo prazo: bancos, companhias do setor de varejo e imobiliário. Ele recomenda a compra dos papéis do Banco Itaú.

Ben Laidler, estrategista em mercados de ações latino-americanos do banco JP Morgan, indica as ações de Unibanco e Net. Como a publicação é dirigida a pessoas físicas norte-americanas, que investem preponderantemente em papéis listados nas bolsas locais, pesou na escolha dos estrategistas o fato de essas três companhias terem ADRs negociadas na Bolsa de Nova York (e na Nasdaq, no caso da Net).

30/07/2008

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Por que a Natura sofre na bolsa?
A Dynamo, uma das mais respeitadas gestoras de recursos do país, diz que o mercado penalizou excessivamente a companhia — que, do IPO até dezembro de 2007, teve crescimento de 62% no resultado operacional e devolveu aos acionistas, na forma de dividendos, 35% do valor investido na oferta inicial


Fundada no Rio de Janeiro em 1993, a
Dynamo é uma administradora de recursos independente, que desenha e gere fundos de investimento em renda variável. Sua equipe de gestores é muito respeitada no mercado, especialmente por sua estratégia de investimentos, orientada para o longo prazo e marcada por uma participação ativa, cobrando resultados, transparência e boa governança das empresas.

A cada trimestre, os sócios da Dynamo redigem uma carta, dirigida aos cotistas de seus fundos, em que analisam temas relevantes para a bolsa e os investidores. A primeira deste ano olha para a trajetória da Natura que, em junho completou quatro anos como empresa de capital aberto.

Apontada como divisor de águas na história do mercado de capitais brasileiro, a Natura vive uma conhecida fase difícil em seu relacionamento com os investidores. Assim como o sucesso dos primeiros anos, o sofrimento foi amplamente coberto pela imprensa. Várias razões foram apontadas para a virada. Todas elas são analisadas na carta da gestora de recursos Dynamo, que as coloca em perspectiva e conclui que as ações da companhia de cosméticos são um excelente negócio:

“Sabemos que a Natura vem passando por um processo de transformação interna ao mesmo tempo em que o ambiente competitivo tem sido particularmente agressivo, o que teria provocado um período de resultados aquém das expectativas. Trata-se de uma combinação de desafios importantes, mas não suficientes para questionarmos a qualidade e as probabilidades de sucesso a médio e longo prazos do modelo”

Os gestores da Dynamo dizem ainda que a “derrapada” da companhia ofereceu a oportunidade de um excelente negócio. Eles haviam adquirido ações da Natura no IPO e as vendido tempos depois. Fizeram isso porque não entendiam que o papel estava sobrevalorizado:

“Com o benefício de poder olhar hoje pelo retrovisor, percebemos que o entusiasmo do mercado naquela fase inicial fora exagerado. Fenômeno, aliás, que viria se repetir com freqüência por ocasião de novos IPOs. Dificilmente poderíamos encontrar razões fundamentalistas que justificassem a ação ter quadruplicado de preço em apenas 30 meses (...) Embora o desempenho operacional da Natura tenha sido bastante interessante nos momentos seguintes ao IPO, ele não consegue explicar, por si só, tamanha aceleração no preço da ação”

Agora, voltaram a comprar as ações e apresentam a seus cotistas uma detalhada justificativa para essa decisão. Eles olham para os negócios da empresa no Brasil e no exterior e apontam aspectos que consideram sub avaliados pelos analistas. A leitura das sete páginas da carta é obrigatória para toda pessoa interessada em ações e no funcionamento do mercado de capitais.



17/07/2008

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De olho nos balanços para fugir do “abraço do urso”
Divulgação dos resultados do 2º trimestre pode impulsionar papéis no curto prazo e amenizar a tendência de queda



Começa, na próxima semana, a temporada de divulgação dos balanços do segundo trimestre do ano. A publicação dos resultados é aguardada com ansiedade pelo mercado, que vê a possibilidade de um impulso de curto prazo às ações de algumas companhias brasileiras – especialmente as relacionadas a commodities e ao mercado interno.

Seguindo a tradição, a
Aracruz inaugura o calendário, divulgando seus resultados na próxima segunda-feira, 07/07. A Votorantim Celulose e Papel vem na seqüência, mas só no dia 17/07. E o calendário se intensifica a partir da terceira semana do mês. Entre 22/07 e 31/07, 28 companhias tornarão seus números públicos. Até lá, outras empresas devem engrossar a agenda.

É um alento para quem gostaria de correr do chamado “abraço do urso”, expressão americana utilizada para designar o mercado em queda pronunciada. Com o Ibovespa em 61.106 pontos (no fechamento da quarta-feira, 02/07), a queda acumulada em relação às máximas históricas atingidas após a obtenção do grau de investimento já passa de 17%. Somente nesta quarta-feira, as perdas chegaram a 3,61%.

Para os analistas de mercado, o principal índice da bolsa brasileira está próximo de seu limite mais baixo. Em entrevista concedida ao Valor Online, o sócio da Global Financial Advisor Miguel Daoud afirmou que o Ibovespa deve voltar a subir nos próximos dias, ficando próximo dos 66 mil pontos. Para ele, “agora é a hora de entrar na bolsa”. Mas, antes de ceder ao apelo dos papéis mais baratos, é importante avaliar se o seu coração se garante num cenário de forte volatilidade.

De qualquer maneira, vale conferir nas páginas de Relações com Investidores das companhias em que você tem interesse as datas de divulgação de balanços e das teleconferências de apresentação de resultados. Mesmo que seja um simples exercício de educação financeira. Quanto a ação mexeu depois da divulgação? O que disseram os analistas?

02/07/2008

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Carl Icahn tem um blog
Ícone do ativismo societário nos EUA estréia em grande estilo, falando sobre polêmicas como os salários dos altos executivos e as eleições de conselheiros de administração



Na última quinta-feira (19/06) nada menos que sete posts foram publicados na estréia do
blog do investidor americano Carl Icahn. Famoso por promover grandes quedas de braço com os executivos das empresas em que investe, Icahn voltou às manchetes de jornal no último mês de maio, quando lançou sua campanha pela retomada das negociações entre o Yahoo e a Microsoft.

O blog era aguardado desde janeiro, quando ele colocou o atual endereço no ar com a promessa de falar sobre os temas que mais o preocupam e dar detalhes sobre as reivindicações específicas que tem com cada empresa. Por enquanto, ele se limitou à primeira parte.

Seus posts tratam de questões polêmicas, que ocupam o topo da pauta dos defensores de governança corporativa no mundo todo - como a remuneração dos principais executivos das companhias abertas, a necessidade de atrelar os salários milionários ao desempenho geral da empresa e a dificuldade que os acionistas nos EUA têm de indicar conselheiros de administração.

Acompanhar o que pensa uma lenda viva do mercado de capitais no mundo é uma oportunidade rara. Icahn, de 72 anos, esteve no centro de movimentos que redesenharam a forma de atuação das companhias abertas, como a onda de aquisições alavancadas (leveraged buyouts) da década de 80, por exemplo. Ele é o 46º homem mais rico do mundo, de acordo com a Revista Forbes, e ocupa a 18ª posição quando analisados apenas os bilionários dos EUA.

Suas idéias podem ser muito úteis para os investidores da bolsa brasileira, onde o ativismo ainda é incipiente. A despeito de sua postura de “super homem dos acionistas” (como lhe apelidou o editor do blog de negócios no New York Times), sempre vale a pena ouvir o que tem a dizer um homem que desafia o status quo.

24/06/2008

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