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Camila Hessel, repórter especial de Época NEGÓCIOS, acompanha neste blog o que fazem e dizem as companhias abertas no mercado de capitais brasileiro e internacional.
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IPOs caem ao menor nível desde 1995 No mundo todo, foram realizadas 745 ofertas iniciais de ações. O Brasil figura entre as três maiores captações com a OGX, de Eike Batista
Segundo levantamento realizado pela Ernst Young, o número de ofertas iniciais de ações (IPOs) realizadas em 2008 é o menor em 13 anos. As 745 operações levantaram US$ 95,3 bilhões. Em 1995, foram registradas 374 ofertas e uma captação de US$ 52,4 bilhões. Os números de 2008 correspondem a menos da metade dos de 2007, quando 1.790 IPOs movimentaram US$ 256,9 bilhões. Até o fim de novembro, 298 ofertas haviam sido adiadas ou canceladas.
A queda das ofertas realizadas em países emergentes foi brusca. As bolsas do Brasil, da Rússia, da Índia e da China somam 163 negócios em 2008, contra 365 em 2007. A Ásia foi a região que concentrou o maior volume de recursos captados: US$ 29,7 bilhões, sendo que 60% desse valor foi levantado nas bolsas chinesas. O segundo lugar ficou com a América do Norte (US$ 27 bilhões) e o terceiro com o Oriente Médio (US$ 15,9 bilhões), liderado pela bolsa da Arábia Saudita. Quando se olha para o número de negócios realizados, o ranking muda um pouco: a Ásia permanece na dianteira com 337 IPOs, a Europa aparece em segundo com 161 ofertas e a América do Norte em terceiro, com 91.
Duas das três maiores operações do ano também representam recordes históricos de captação para as bolsas em que foram realizadas. Em primeiro lugar ficou a Visa, que assumiu o posto de maior IPO da história dos Estados Unidos ao levantar US$ 19,7 bilhões na Bolsa de Nova York. A China Railway Construction Corp vem na seqüência, com sua captação de US$ 5,7 bilhões numa oferta realizada simultaneamente nas bolsas de Xangai e de Hong Kong. A brasileira OGX, do empresário Eike Batista, ficou em terceiro, com a maior oferta já realizada na Bovespa: US$ 4,1 bilhões. Os países emergentes dominaram o ranking das 20 maiores ofertas de 2008, respondendo por 15 delas.
Leia reportagem de Época Negócios sobre Eike Batista |
10/12/2008 |
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Transparência: obrigação x disposição de informar Atas de assembléia divulgadas por Aracruz e Sadia não detalham explicações fornecidas sobre operações com derivativos

A lei das S.As permite às companhias abertas divulgar atas de assembléia na forma de sumário, sem detalhes sobre o conteúdo discutido. Com isso, quem não participa dessas reuniões, só fica sabendo se as decisões foram tomadas por maioria dos presentes ou por unanimidade. Em alguns casos, também dá para saber quais foram os investidores que optaram por não votar ou mesmo os que foram contrários a uma determinada medida. Como a maioria das assembléias trata de questões corriqueiras, como a aprovação de orçamentos, de prestações de contas e de verbas determinadas pelo conselho de administração, os investidores não chegam a sentir falta de atas mais completas.
Mas é difícil dizer o mesmo a respeito de duas assembléias extraordinárias realizadas neste mês de novembro: as de Sadia (no último dia 3/11) e de Aracruz (na última segunda-feira, 24/11). A primeira foi convocada por um acionista com participação relevante: o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), que tem 8,2% das ações com direito a voto. A segunda foi convocada pela própria Aracruz, para decidir se um processo de responsabilidade civil seria aberto contra seu ex-diretor financeiro. No lugar de divulgar atas que permitissem ao mercado conhecer o teor das discussões travadas nas assembléias, sinalizando um compromisso com transparência que seria bem-vindo em companhias que protagonizaram perdas-surpresa, Sadia e Aracruz optaram por publicar um sumário.
Investidores e analistas continuaram sem resposta para uma série de perguntas relacionadas aos episódios com derivativos. Ainda não dá para saber se os conselhos sabiam. Ainda também não dá para entender como as políticas de risco foram extrapoladas sem ativar alertas nos sistemas de controle de risco. Na ata divulgada pela Sadia consta uma “manifestação” do conselheiro e acionista José Marcos Konder Comparato. Nenhuma dica sobre seu conteúdo. Também não há uma linha sobre as explicações prestadas pelo novo diretor financeiro, Welson Teixeira Junior, ou pelos conselheiros integrantes do comitê financeiro, Cássio Casseb e Roberto Faldini. Sabe-se que a reunião durou três horas — um tempo consideravelmente longo, comparado à média de 40 minutos que as assembléias costumam tomar. E mais nada. Uma investigação complementar será realizada por uma empresa de auditoria, mas as conclusões só serão divulgadas ao final de fevereiro.
A ata da Aracruz menciona que foram apresentados relatórios enviados ao conselho de administração para embasar a proposta de mover ação contra o ex-diretor financeiro. De novo, nenhuma linha a respeito de seu conteúdo. Ficou decidido que Isac Zagury será mesmo processado. O resultado já era esperado, devido ao fato de os controladores deterem a maioria das ações com direito a voto (leia reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico).
De todo modo, não seria hora de investidores, analistas e defensores das boas práticas de governança cobrarem uma mudança de postura? Como bem disse Mauro Rodrigues da Cunha, presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), em entrevista para reportagem que será publicada na edição de dezembro de Época NEGÓCIOS, “mais do que a obrigação de informar, é preciso que haja a vontade de equipar o mercado com informações relevantes”. |
24/11/2008 |
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Quem compra o que os gringos vendem? Os estrangeiros mais venderam do que compraram ações brasileiras pelo quinto mês consecutivo, aprofundando as mudanças na base acionária das companhias brasileiras iniciadas durante a crise
A Bovespa divulgou o saldo de compras e vendas de ações no mês de outubro e, mais uma vez, os estrangeiros encabeçam a lista de quem mais se desfez de papéis do nosso pregão. As vendas superaram as compras em US$ 4,69 bilhões em outubro, elevando para US$ 23 bilhões o volume retirado por esses investidores da bolsa brasileira em 2008. A pergunta inevitável é: quem comprou o que os gringos venderam?
Uma passada de olhos nos percentuais de participação por tipo de investidor dá uma pista. Em primeiro lugar, vêm os próprios investidores estrangeiros: eles efetuaram 18,42% das compras no mercado à vista. Na seqüência, os investidores institucionais (incluindos as empresas e instituições financeiras), que ficaram com 16,88% dos papéis comprados. As pessoas físicas vieram logo atrás, com 14,63%. E não foi só a participação nos negócios que cresceu. O número de novos investidores individuais também aumentou. Foram abertas 14.450 contas novas no mês de outubro. Há hoje 542,1 mil contas ativas. No início do ano, eram 450 mil
Os números confirmam uma tendência que começou a se desenhar nos primeiros meses da crise financeira global: uma recomposição na base acionária das companhias brasileiras. Como os estrangeiros tinham levado a maior parcela dos IPOs realizados desde 2004, essa saída aumenta o peso dos investidores nacionais na base de acionistas. Dias atrás, Jean-Marc Etlin, que é vice-presidente executivo e responsável pelo banco de investimentos do Itaú BBA, disse numa palestra que a base havia se invertido. “Com a saída dos estrangeiros, houve uma recomposição radical nas participações dos investidores no capital das companhias abertas brasileiras.”
Ainda é cedo para saber o que essa mudança representa efetivamente. Mas a direção dos ventos indica que a bolsa será capaz de atrair parcelas um pouco mais significativas da poupança nacional.
Atualização: O jornal Valor desta quinta-feira (06/11) traz uma tabela interessante, que resume a movimentação da Bovespa por tipo de investidor:
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05/11/2008 |
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Puxando a fila? Petros é o primeiro fundo de pensão brasileiro a anunciar que vai aumentar sua carteira de ações. Seria providencial para a bolsa brasileira se outros aproveitassem os preços convidativos e seguissem a mesma trilha
Segundo notícia publicada pelo Valor Online, Wagner Pinheiro, presidente do fundo de pensão dos funcionários da Petrobras (Petros) afirmou que vai aproveitar o período de turbulência — e preços baixos — para aumentar a sua carteira de renda variável. Ele disse que, entre os setores mais interessantes, energia e bancos mereciam destaque. Pinheiro revelou que a instituição tem aproveitado os preços para adquirir papéis de Vale e Petrobras.
Antes da crise, os investimentos da Petros em ações e em fundos de participações correspondia a 31% do patrimônio total. Ao longo do ano, esse percentual caiu para 28%. Há bastante espaço para crescer, visto que o limite legal é de 50%. Em outros fundos a possibilidade de expansão é ainda maior. Embora a média do mercado seja de 20%, em boa parte dessas instituições, os investimentos em renda variável não chegam a 5%.
Com patrimônio equivalente a 18% do PIB brasileiro, o potencial de investimentos é enorme – e para lá de desejável. A expectativa por políticas de aplicação mais consistentes em renda variável cresceu bastante desde o início da retomada do mercado de capitais nacional em 2004. Mas é claro que elas dependem de juros menores.
É bem conhecida a piada que diz que os gestores das grandes fundações (como são chamados os fundos de pensão de estatais) podiam passar seus dias na praia. Por lei, ele têm de apresentar rentabilidade anual 6% acima da inflação, medida pelo IPCA. Com taxas de juros altas, a meta era batida quase automaticamente. Mesmo coma queda nos últimos anos, a renda fixa ainda é uma alternativa segura e garantida para entregar o resultado mínimo.
No início desta semana, o presidente do BNDES disse que era preciso pensar em incentivos para atrair esses grandes investidores nacionais para o mercado de capitais. Nos EUA e na Europa, os fundos de pensão são investidores fundamentais para a saúde das bolsas. Nosso equivalente nacional seria a Previ (dos funcionários do banco do Brasil), que está acima do limite legal: sua carteira de renda variável bateu 60% do patrimônio com a valorização das ações antes da crise. Para que possa se desfazer de parte desses papéis e se enquadrar nos 50%, seria importante ter outras fundações dispostas a comprar mais. Que a Petros seja apenas a primeira da fila!
Atualização: de acordo com reportagem do Jornal Valor desta segunda-feira (03/11), outras fundações de grande porte, como Valia e Funcef estão engordando seus investimentos em renda variável |
31/10/2008 |
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