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Camila Hessel, repórter especial de Época NEGÓCIOS, acompanha neste blog o que fazem e dizem as companhias abertas no mercado de capitais brasileiro e internacional.
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De olho nos balanços para fugir do “abraço do urso” Divulgação dos resultados do 2º trimestre pode impulsionar papéis no curto prazo e amenizar a tendência de queda

Começa, na próxima semana, a temporada de divulgação dos balanços do segundo trimestre do ano. A publicação dos resultados é aguardada com ansiedade pelo mercado, que vê a possibilidade de um impulso de curto prazo às ações de algumas companhias brasileiras – especialmente as relacionadas a commodities e ao mercado interno.
Seguindo a tradição, a Aracruz inaugura o calendário, divulgando seus resultados na próxima segunda-feira, 07/07. A Votorantim Celulose e Papel vem na seqüência, mas só no dia 17/07. E o calendário se intensifica a partir da terceira semana do mês. Entre 22/07 e 31/07, 28 companhias tornarão seus números públicos. Até lá, outras empresas devem engrossar a agenda.
É um alento para quem gostaria de correr do chamado “abraço do urso”, expressão americana utilizada para designar o mercado em queda pronunciada. Com o Ibovespa em 61.106 pontos (no fechamento da quarta-feira, 02/07), a queda acumulada em relação às máximas históricas atingidas após a obtenção do grau de investimento já passa de 17%. Somente nesta quarta-feira, as perdas chegaram a 3,61%.
Para os analistas de mercado, o principal índice da bolsa brasileira está próximo de seu limite mais baixo. Em entrevista concedida ao Valor Online, o sócio da Global Financial Advisor Miguel Daoud afirmou que o Ibovespa deve voltar a subir nos próximos dias, ficando próximo dos 66 mil pontos. Para ele, “agora é a hora de entrar na bolsa”. Mas, antes de ceder ao apelo dos papéis mais baratos, é importante avaliar se o seu coração se garante num cenário de forte volatilidade.
De qualquer maneira, vale conferir nas páginas de Relações com Investidores das companhias em que você tem interesse as datas de divulgação de balanços e das teleconferências de apresentação de resultados. Mesmo que seja um simples exercício de educação financeira. Quanto a ação mexeu depois da divulgação? O que disseram os analistas?
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02/07/2008 |
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Por que a Natura sofre na bolsa? A Dynamo, uma das mais respeitadas gestoras de recursos do país, diz que o mercado penalizou excessivamente a companhia — que, do IPO até dezembro de 2007, teve crescimento de 62% no resultado operacional e devolveu aos acionistas, na forma de dividendos, 35% do valor investido na oferta inicial
Fundada no Rio de Janeiro em 1993, a Dynamo é uma administradora de recursos independente, que desenha e gere fundos de investimento em renda variável. Sua equipe de gestores é muito respeitada no mercado, especialmente por sua estratégia de investimentos, orientada para o longo prazo e marcada por uma participação ativa, cobrando resultados, transparência e boa governança das empresas.
A cada trimestre, os sócios da Dynamo redigem uma carta, dirigida aos cotistas de seus fundos, em que analisam temas relevantes para a bolsa e os investidores. A primeira deste ano olha para a trajetória da Natura que, em junho completou quatro anos como empresa de capital aberto.
Apontada como divisor de águas na história do mercado de capitais brasileiro, a Natura vive uma conhecida fase difícil em seu relacionamento com os investidores. Assim como o sucesso dos primeiros anos, o sofrimento foi amplamente coberto pela imprensa. Várias razões foram apontadas para a virada. Todas elas são analisadas na carta da gestora de recursos Dynamo, que as coloca em perspectiva e conclui que as ações da companhia de cosméticos são um excelente negócio:
“Sabemos que a Natura vem passando por um processo de transformação interna ao mesmo tempo em que o ambiente competitivo tem sido particularmente agressivo, o que teria provocado um período de resultados aquém das expectativas. Trata-se de uma combinação de desafios importantes, mas não suficientes para questionarmos a qualidade e as probabilidades de sucesso a médio e longo prazos do modelo”
Os gestores da Dynamo dizem ainda que a “derrapada” da companhia ofereceu a oportunidade de um excelente negócio. Eles haviam adquirido ações da Natura no IPO e as vendido tempos depois. Fizeram isso porque não entendiam que o papel estava sobrevalorizado:
“Com o benefício de poder olhar hoje pelo retrovisor, percebemos que o entusiasmo do mercado naquela fase inicial fora exagerado. Fenômeno, aliás, que viria se repetir com freqüência por ocasião de novos IPOs. Dificilmente poderíamos encontrar razões fundamentalistas que justificassem a ação ter quadruplicado de preço em apenas 30 meses (...) Embora o desempenho operacional da Natura tenha sido bastante interessante nos momentos seguintes ao IPO, ele não consegue explicar, por si só, tamanha aceleração no preço da ação”
Agora, voltaram a comprar as ações e apresentam a seus cotistas uma detalhada justificativa para essa decisão. Eles olham para os negócios da empresa no Brasil e no exterior e apontam aspectos que consideram sub avaliados pelos analistas. A leitura das sete páginas da carta é obrigatória para toda pessoa interessada em ações e no funcionamento do mercado de capitais.
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17/07/2008 |
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